O direito a ser um lugar da imaginação

Ao decidirmos que o fio condutor do Terra que Conta seria aquele com que teceríamos a inscrição das histórias na paisagem, pressentimos estar a iniciar um novo caminho. Novo para nós, novo para o De Boca em Boca e, quem sabe, novo para quem nos acompanha.

Agora, enquanto preparamos o 20º programa, vêmo-nos cada vez mais a percorrer os caminhos já pouco pisados, seguindo as pistas que nos dão os mais antigos, em busca dos sítios onde terão acontecido as aventuras, os mitos ou as lendas.

Investigamos com as ferramentas ao nosso dispor, sejam as máquinas de gravar som e imagem, seja o silêncio de onde tudo brota. Recolhemos, perguntamos, afinamos a escuta e aguçamos os sentidos, de tudo fazemos para nos aproximarmos das histórias dos lugares e das pessoas que os habitam ou habitaram.

Os factos recheados de acontecimentos reais estimulam-nos a curiosidade e desafiam a nossa capacidade para, seguindo os passos das pessoas antigas, descobrir os lugares das suas histórias.

As narrativas mais improváveis, místicas ou míticas fascinam-nos pela dimensão do fantástico que transportam, tanto quanto nos estimulam ao exercício da imaginação, nesta missão que assumimos de cultivar uma terra que se conta.

Contar e escutar são actos do domínio do imaginário e vêmo-nos hoje como activistas que reivindicam para a esta terra o seu direito a ser um lugar da imaginação.

[Registo fotográfico do percurso pedestre em busca da Cama da Noiva, uma rocha que conta a história de uma Moura que nos chegou pela boca dos habitantes de Diogo Martins.]

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