O Touro azul(i)

Era um pai que tinha uma mulher que morreu e deixou uma filha. E depois casou com outra mulher e ela tinha também uma filha. E então a filha dela era muito feia e a filha dele era muito bonita. E ela tinha muita inveja da enteada, depois deixou de lhe dar comida, fazia a enteada andar guardando vacas e guardando o touro. Um dia ela estava muito triste, a chorar, ao que o touro azuli lhe disse que é que tens Carina?(Chamava-se Carina) O que é que tu tens Carina?

-É a minha madrasta que não me dá de comer.

E ele disse-lhe assim:

-Mete a tua mão aqui na minha orelha e tira daqui uma toalha que aparecerá tudo.

E então ela pôs a mesa com a toalha no chão e apareceu ali de tudo e a rapariga comeu. Foi assim todos os dias e a madrasta começou a desconfiar porque não lhe dava de comer e um dia foi espreitar, foi espreitar e viu que o touro azuli lhe dava de comer e foi fez-se de muito doente, muito doente e foi para o marido que estava doente e que ele tinha que matar o touro azuli que só assim ela se curava. Ele então quis matar o touro azuli e ele disse à Carina, olha, eu amanhã vou ser morto, ela começou a chorar mas ele disse, não, mas a gente vai fugir, vamos fugir, tu montas-te em cima de mim e a gente vai-se embora, tem que passar a uma mata que era a mata de cobre, chegam os dois e ele disse assim, vai com muita cautela porque aqui está uma serpente e ela não pode deixar cair folha nenhuma em cima da gente, mas ela com muita cautela, mas caiu uma folha da serpente, começaram a brigar a brigar e ele matou-a mas ficou dois dias doente, depois ao fim ela chorava mas ele, não chores que eu ponho-me bom.

Depois foram-se embora, mais adiante encontraram uma mata de prata e ele disse-lhe assim, agora tens que ter muita cautela a atravessar a mata, aqui não podes deixar cair nenhuma folha estão aqui duas serpentes, mesmo com cautela deixou cair duas folhas no corpo, saíram duas serpentes ele lutou muito com elas até que as matou e esteve mais uns dias lá doente.

Depois foram e passaram a outra mata, agora esta mata é a mata de ouro mas tem que ter muita cautela aqui estão três serpentes e então foi mas cairam-lhe três folhas em cima e então depois ele conseguiu matá-las.

Lá foram muito adiante e ele disse, agora vamos aquele castelo além, tu agora além tens que me matar, matar e enterrares-me além, ela chorava que não queria, e ele tens que me matar e ela depois matou-o e enterrou-o ali e ele depois disse, toma lá esta varinha de condão e vais pedir trabalho àquele castelo e quando quiseres alguma coisa vens cá. Então ela foi para lá pedir trabalho, levava roupa de pau, sapatos de pau, tudo, e quando ia fazia muito barulho. Então um dia um príncipe pediu um pente e ela quis ir levar o pente ao príncipe, e a outra disse :

  • Alguma vez ? Ele não te quer para lá!

Conforme ela ia, ele disse:

  • Éh pá! Que barulho é esse! Fora já daqui!

Ela foi-se embora mas depois ele deu um grande baile e ela quis ir e a outra disse, alguma vez tu vais ao baile?

Ela foi bater com a varinha de condão e ele, o touro azuli, disse o que é que queres? Eu quero ir ao baile, então toma lá e deu-lhe um vestido muito bonito e uns sapatos e ela lá foi. Quando lá chegou o príncipe pôs-se de roda dela perguntou-lhe donde ela era e ela disse que era da terra dos espertos.

Ela foi-se embora, bem, ele mandou perguntar por todo o lado e ao outro dia ela já estava com o fato de pau e quando eles vieram a perguntar, já ela estava vestida de pau. Passado uns dias ele pediu uma toalha, ela foi novamente lá ao castelo, onde estava o touro azuli bateu com a varinha de condão e ele deu-lhe outro fato muito bonito, muito bonito. Ora quando lá chegou, o príncipe só queria dançar com ela, perguntou-lhe donde é que ela era, eu sou da terra das toalhas, Depois mandou os criados por todo o lado à pergunta da terra das toalhas, não a encontraram. Deu outro baile para escolher noiva. Ela foi, levava um fato todo em oiro, mas antes já lá tinha ido e ele mandou-a voltar para trás que fazia muito barulho. O touro azuli dava-lhe aquela hora para ela estar lá, depois tinha que se ir embora e ela com a pressa de ir deixou lá um sapato, tendo o sapato o príncipe, perguntava-a por todo o lado, a quem é que servia o sapato. E então foram lá à da madrasta dela que queria que a filha calçasse o sapato. Então um passarinho pôs-se a dizer assim:

Descalça o sapatinho que não é teu, dá-o à Maria do pau que mando eu!

Foram a correr as empregadas todas lá e a nenhuma servia. O pássaro foi cantando até que chamaram a Maria do pau que andava com sapatos e roupa de pau.

Ela chegou, mandaram-na calçar o sapato, assim que o calçou apareceu o outro sapato, apareceu o vestido e apareceu tudo.

Ele então casou com ela e a madrasta ficou a olhar.

 

Maria Bárbara

Diogo Martins

4 de Junho de 2021

 

[O Touro azul é um conhecido conto tradicional, aqui numa versão muito própria da Maria Bárbara, do Monte de Diogo Martins, é a primeira vez que ouvimos contar este conto no concelho de Mértola]

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